HANDEBOL

Handebol: Choro, humildade e "quase" doping: veja noite heroica de Chana

Com grande atuação de Chana, o Brasil venceu a França por 26 a 22 no Ginásio do Ibirapuera, em jogo do Mundial feminino de handebol  Foto: Edson Lopes Jr./Terra

Chana Masson entrou em quadra nesta terça-feira no Ginásio do Ibirapuera com uma missão mais do que ingrata: segurar o ataque francês no segundo tempo, depois de o time europeu ter feito 17 a 10 na etapa inicial da terceira rodada do Campeonato Mundial feminino de handebol. A experiente camisa 1, contudo, fez muito mais do que isso: fechou o gol, vibrou, levantou o público paulistano, chorou com a vitória de virada por 26 a 22, acabou eleita a melhor do jogo, virou a terceira melhor goleira da competição e até foi forçada a abandonar a entrevista depois da partida para não se atrasar para o exame antidoping.

O primeiro tempo foi complicado para o Brasil, que perdeu por 17 a 10  Foto: Edson Lopes Jr./Terra

 

A Seleção Brasileira feminina de handebol costuma começar as partidas no torneio em São Paulo com Bárbara no gol e Chana como opção para entrar depois do intervalo. Nesta terça, a experiente arqueira sofreu apenas cinco gols, fez defesas incríveis e deu alma à virada do Brasil, que derrotou as vice-campeãs mundiais de 2009 e se classificou por antecipação às oitavas de final. Antes mesmo de a partida chegar ao fim, a camisa 1 já chorava no Ibirapuera. Com justiça, recebeu o prêmio de melhor em quadra. Mas tratou de mostrar humildade no discurso.

 

A goleira Babi não teve vida fácil durante a partida  Foto: Edson Lopes Jr./Terra

 

"Não consigo pensar em outra palavra que não seja felicidade, mas é preciso ser realista também. Erramos muito no primeiro tempo e não podemos deixar que isso aconteça de novo. E vencer a França é muito bom, mas é só o primeiro passo. Não ganhamos o Mundial", citou a goleira.

 

Brasileiras comemoram gol  Foto: Edson Lopes Jr/Terra

 

Chana fez dez defesas em 15 arremessos da França e deixou a quadra com um aproveitamento de 67% - bastante alto no handebol. Chamada de "melhor goleira do Brasil" pela torcida no Ibirapuera, ela ainda disparou nas estatísticas da Federação Internacional (IHF) e pulou de oitava para terceira melhor arqueira do Mundial feminino.

 

Mayara salta para arremessar  Foto: Edson Lopes Jr/Terra

 

A brasileira possui 54% de rendimento, com 32 defesas em 59 arremessos contra o gol. À frente dela estão apenas a russa Maria Sidorova (59%, com 33 intervenções em 56) e a dinamarquesa Sandra Toft (58%, com 11 em 19).

 

Mas a catarinense, que gosta de se dizer experiente - e não "velha" por ter 32 anos - distribuiu todos os louros pela atuação. "Sei que minha vibração dentro das quatro linhas é importante, mas é minha característica e foi assim que eu colaborei. Não sou heroína. O mérito é do (técnico) Morten (Soubak), pela mudança do esquema tático, e das meninas, que fizeram uma defesa muito boa", discorreu.

 

Mais requisitada na entrevista pós-jogo, Chana teve que deixar a sala de imprensa rapidamente para se submeter ao exame antidoping. Rita Orsi, supervisora da Seleção Brasileira, precisou interromper a sessão de perguntas e respostas para levar a goleira para realizar o teste.

 

"Gente, desculpa, mas a Chana precisa descer e estar lá em cinco minutos ou vão colocar positivo no exame", disse Rita, antes de levar consigo a requisitada goleira, estrela da noite de vitória brasileira, visivelmente constrangida por não poder atender a todos os jornalistas.

 

Entretanto, essa sensação rapidamente mudou para Chana. Do corredor do portão 7 do Ibirapuera era possível ouvir uma agitada festa da Seleção Brasileira dentro dos vestiários do ginásio, com cânticos e gritos de alegria pela vitória. E também pela classificação antecipada e pela noite inspiradíssima da camisa 1.

 

 

Fonte: Terra

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